Emulsão de Serigrafia: 3 tipos de emulsão
A emulsão de serigrafia, é uma mistura líquida fotossensível (de composição variável, consoante o tipo de emulsão), que aplicada numa tela de serigrafia, e após o processo de gravação, permite criar uma matriz de impressão. Neste artigo, explicamos-te como funciona, que tipos de emulsão de serigrafia existem e os principais passos para emulsionar.
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O que é a emulsão de serigrafia?
A emulsão de serigrafia é utilizada no método indirecto, onde a matriz é gravada directamente na tela, numa sequência de passos.
É sensível à luz (dependendo da emulsão, pode ser sensível a qualquer luz ou a luz UV), o que permite que seja usada no processo de fotossensibilização. Quando exposta à luz UV, a emulsão reage e endurece nas áreas que recebem luz. Em sentido contrário, as áreas não expostas à luz (bloqueadas com o fotolito) não endurecem e são removidas com água durante o processo de revelação, criando um desenho/imagem na tela.
A escolha da emulsão de serigrafia é importante para garantir a qualidade e a durabilidade da matriz. Há diversos tipos de emulsão, com diferentes tempos de exposição, resistência à tinta, adequabilidade ao tipo de tinta, sensibilidade à luz, entre outras características. Cada tipo de emulsão de serigrafia pode ser mais adequado para determinados tipos de impressão e substratos.
No seguinte video, aprende como é que a emulsão de serigrafia deve ser aplicada na tela de serigrafia.
vídeo de Luís Eustáquio
Função e em que fase do processo é aplicada?
A emulsão de serigrafia é um elemento fundamental no método indirecto, do processo de serigrafia. O objectivo é criar uma matriz, precisa e durável (mas sempre limitada), que permita a passagem de tinta através da tela, de forma controlada e com qualidade, para o substrato.
As emulsões são sensíveis à luz UV e requerem uma fonte de luz para endurecer e formar uma matriz.
Durante o processo, a emulsão de serigrafia é aplicada sobre a malha da tela de serigrafia, formando uma camada uniforme e fina. Depois de secar, a tela é então exposta à luz com um fotolito, que contém o desenho/imagem a ser impressa. O fotolito é colocado entre a fonte de luz e a emulsão, com o objectivo de bloquear a luz nas áreas pretendidas. Por conseguinte, a luz endurece as áreas da emulsão expostas e a restante área, protegida da luz, não endurece. Após a exposição à luz, a tela é lavada com água, que remove a emulsão não endurecida, criando o desenho/imagem do fotolito.
A partir desta fase, temos a tela pronta para imprimir. A tinta aplicada sobre a tela, puxada com a raclete (rodo), irá passar para o substrato, apenas nas áreas em que a emulsão não endureceu.
A emulsão de serigrafia desempenha um papel importante na qualidade da impressão, pois deve ser capaz de suportar a pressão e a fricção da raclete, além de resistir ao tipo de tinta utilizada (plastisol, à base de solvente, etc). Uma emulsão de serigrafia de boa qualidade deve ser capaz de manter a matriz por diversas impressões, sem desgaste ou perder detalhes.
O que é a serigrafia?
7 principais passos do método indirecto com emulsão de serigrafia
Após a preparação da emulsão de serigrafia (caso seja necessário) passamos para a fase da gravação da matriz, que inclui uma série de fases. Estes são os principais passos:

• Tela de Serigrafia Deve estar em condições, com a malha bem tensionada. Deves lavar/limpar com desengordurante, seja uma tela nova ou velha.
• Emulsionar Aplicação da emulsão de serigrafia na malha (lavada, desengordurada e seca), com rasoeira, numa camada fina e uniforme.
• Secagem Após a aplicação, a tela deve permanecer em ambiente escuro para a emulsão secar. Preferencialmente em posição horizontal.

• Fotolito É necessário um fotolito que bloqueie a luz e crie uma matriz.
• Exposição UV O quadro emulsionado, é exposto à luz UV, juntamente com o fotolito. O fotolito terá de ser posicionado entre a tela emulsionada e a luz, de forma a bloquear as áreas pretendidas. As áreas opacas do fotolito bloqueiam a luz, que não incide sobre a emulsão. A emulsão, onde não incidiu luz, não irá endurecer e será removida na lavagem.

• Lavagem/Revelação — Nesta fase, a tela é lavada com água, para revelar a matriz. A emulsão bloqueada pelo desenho do fotolito, que não é exposta à luz, irá sair com água. Em sentido inverso, as restantes partes reagem quimicamente à luz, endurecem e ficam resistentes à água, fixando na tela.
• Secagem/Voltar a expor — Após a tela secar e ficar sem vestígios de água, aconselhamos que a tela seja de novo exposta à luz UV, no dobro do tempo que foi inicialmente exposta. Caso queiras poupar energia, podes deixa-la ao sol.
Outro método?
O método de stencil destaca-se por uma abordagem simples, diferente do método indirecto. Consiste no corte directo da matriz, definindo assim as áreas por onde a tinta será aplicada. O stencil pode ser feito a partir de diferentes materiais, como o papel.
Esta técnica é particularmente eficaz para projectos que são simples, não envolvem grande complexidade e muitas tiragens.
3 tipos de emulsão de serigrafia
Os três principais tipos de emulsão de serigrafia são à base de diazo, dual cure e de fotopolímero. Cada uma possui características próprias e aplicações mais adequadas.
As emulsões para serigrafia à base de diazo são bi-compostas, constituídas, em separado, pela emulsão (não sensibilizada) e o diazo, que é um composto químico sensível à luz e activado pela mesma. É necessária preparação prévia, para misturar os dois componentes.
As emulsões de fotopolímero, devido à sua composição, já estão prontas a usar e não é necessário adicionar nenhum componente. Nesse sentido, são mais fáceis de usar do que as emulsões à base de diazo, pois não requerem preparação prévia. Também devido à sua composição, são mais sensíveis à luz e portanto geralmente requerem menor tempo de exposição e menor margem de erro.
As emulsões dual cure combinam as propriedades da emulsão de diazo e de fotopolímero. São bi-compostas, constituídas por emulsão e diazo, no entanto a emulsão é pré-sensibilizada. O que significa que após a junção (também é necessária preparação prévia, para misturar os dois componentes) é criada uma mistura com dois elementos duplamente sensibilizados.
Emulsões de fotopolímero e Dual Cure têm capacidade de produzir imagens detalhadas e nítidas. São conhecidas pela alta resistência à abrasão, bem como a solventes, o que as torna ideais para a impressão em diversos substratos. Ambas podem ser resistentes à água e a solventes (adequadas para vários tipos de tintas), enquanto as de diazo geralmente são resistentes à água ou a solventes e não ambos.
Todos os tipos de emulsão de serigrafia possuem diferentes variações e marcas disponíveis no mercado, cada uma com características próprias e propriedades específicas. A escolha da emulsão de serigrafia dependerá do tipo de material a ser impresso, da tinta usada, da complexidade do design, bem como das condições de exposição e lavagem. No entanto a preferência pessoal irá pesar sempre mais. A partir do momento que encontras o tempo certo de exposição à luz, com uma emulsão específica, e tiveres resultados positivos na impressão, vais continuar a querer trabalhar com a mesma solução. Desde que se adapte a todos os teus projectos (tipo de substrato, tipo de tinta, etc).
Emulsão Bicromato?
Talvez tenhas ouvido falar na existência de uma emulsão bicromato? O bicromato de potássio é um composto químico que já foi amplamente utilizado como componente em emulsões para serigrafia. No entanto, o bicromato de potássio é tóxico e cancerígeno, e o seu uso tem sido desencorajado e até proibído em muitos países. Os fabricantes de emulsões para serigrafia têm vindo a substituir por outras emulsões mais seguras e menos nocivas ambientalmente, criando emulsões que não contêm cromatos na sua composição.
Existem emulsões menos nocivas ao ambiente e saúde?
É uma questão difícil de responder, tratando-se de composições químicas. Qualquer conhecimento da matéria pode ser insuficiente.
Para minimizar os riscos e o impacto ambiental, é importante seguir as diretrizes de segurança, como o uso de equipamento de proteção pessoal, ventilação adequada e a adoção de práticas responsáveis, independentemente do tipo de emulsão que uses. Para tal é necessário adoptar as medidas indicadas por cada fabricante. O uso de máscara, luvas e óculos de proteção podem ser necessários.
Prazo de validade?
O tempo de validade das emulsões para serigrafia pode variar dependendo do fabricante e das condições de armazenamento, mas em geral, as emulsões de diazo, dual cure e de fotopolímero têm prazos de validade diferentes.
Geralmente as emulsões de diazo têm um prazo de validade mais curto após a mistura com o diazo, que normalmente é de poucas semanas. Já as emulsões dual cure podem ter um prazo de validade ligeiramente maior após a mistura, mas não mais do que 6-8 semanas. Por fim, as emulsões de fotopolímero têm um prazo de validade mais alargado em comparação com as emulsões de diazo e dual cure, e podem durar vários meses ou até mesmo mais do que um ano, se armazenadas adequadamente.
No entanto, é importante seguir as instruções do fabricante e verificar a data de validade indicada na embalagem de cada emulsão de serigrafia, pois podem ter prazos de validade diferentes, consoante o tipo ou o fabricante. Além disso, o tempo de validade pode ser afectado por factores externos, como a temperatura e a humidade. Nesse sentido, é importante armazenar as emulsões adequadamente e verificar a qualidade da emulsão antes de cada utilização.
Conselho
Sempre que começares a utilizar uma emulsão de serigrafia, escreve a data na embalagem. Dessa forma consegues, ao longo de várias utilizações, calcular e perceber melhor o comportamento e tempo de vida da emulsão, consoante o modo de armazenamento.
Uma vez aberta, a emulsão de diazo e dual cure, pode ser guardada, bem fechada, no frigorifico (sem criar gelo). Assim pode durar mais do que armazenada num local menos fresco.
Quando guardada no frigorífico, e quando quiserem utilizar, podem retirar a emulsão antecipadamente e deixa-la à temperatura ambiente, para não ser utilizada fria.
Preparação da emulsão de serigrafia
As emulsões à base de fotopolímero estão prontas a usar, enquanto que as emulsões à base de diazo (e dual cure) necessitam de preparação. Estas emulsões são bi-compostas, sendo necessário misturar os vários elementos. Geralmente, é preciso adicionar água destilada ao diazo (pó), misturar bem e consequentemente adicionar à emulsão. A junção dos dois componentes terá de ser muito bem misturada (preferencialmente espátula de plástico) e fechada, para de seguida deixar a repousar, nunca abaixo da duração indicada pelo fabricante.
Esta preparação deve ser realizada, preferencialmente, em quarto escuro com luz adequada (por ex.: luz amarela, de modo que não seja iniciado o processo de gravação).
Conforme cada emulsão/fabricante, podem haver variações e é sempre necessário verificar as instruções e conselhos.
Conselho
Quando preparares a emulsão de diazo (ou dual cure), deverás utilizar elementos de protecção, como luvas, óculos e máscara. É aconselhável que leias sempre as medidas de protecção, indicadas pelo fabricante, na embalagem do produto.
3 Tipos de emulsão de serigrafia: Prós e Contras
Diazo
Prós
• Mais barato
• Maior latitude de exposição
Contras
• Requerem preparação prévia
• Tempo de exposição pode ser longo
• Prazo de validade mais curto
• Geralmente resistentes à água ou a solventes e não ambos
• Menor qualidade para detalhes finos
Dual Cure
Prós
• Alta resistência à abrasão (incluindo solventes)
• Combina características de Diazo e Fotopolímero
• Maior versatilidade em aplicações
• Durabilidade
• Imagens detalhadas e nítidas
• Maior latitude de exposição
Contras
• Necessitam de preparação prévia
• Maior tempo de exposição do que fotopolímero
• Prazo de validade limitado após mistura
Fotopolímero
Prós
• Prontas a usar, sem preparação
• Alta sensibilidade à luz = Menor tempo de exposição (pode funcionar com fontes de luz fracas)
• Maior tempo de validade
• Imagens detalhadas e nítidas
Contras
• Alta sensibilidade à luz = Latitude de exposição inferior (pode facilmente expor a menos ou a mais)
• Utilização em quarto escuro adequado
Qual a emulsão de serigrafia, utilizada na FICA?
A emulsão
Na oficina utilizamos (e revendemos) uma emulsão de serigrafia de dual cure da marca italiana Saati gama Grafic HU Blue.
É uma emulsão de serigrafia com alta resistência à abrasão e a solventes. Tem excelente definição de impressão em qualquer malha. E é adequada para impressão com tintas de cura UV, plastisol, à base de solvente e à base de água.
Segundo o fabricante, armazenada e selada no recipiente original, a uma temperatura entre 20-25°C, a mesma manterá as propriedades originais até 18 meses a partir da data de produção. Após mistura, essa validade reduz.
PRÓS Alta resistência e adequada para todos os tipos de tinta.
CONTRAS Uma vez misturada, a emulsão sensibilizada, deverá ser armazenada em local fresco e usada num espaço de um mês e pouco.
A matriz é infinita?
Não. Qualquer matriz, gravada numa tela, com emulsão de serigrafia, não é infinita. O conceito, e ponto positivo, de uma tela, é a sua reutilização. O que significa que podemos remover a emulsão e voltar a emulsionar.
Isso significa também que, por muito resistente que seja, após começarmos a utilizar a tela, eventualmente a emulsão irá perder resistência e sair aos poucos. No entanto, se for bem cuidada, podemos fazer centenas de impressões com a mesma matriz.
A emulsão de serigrafia (dual cure) tem uma durabilidade bastante boa se seguires alguns conselhos e adoptares boas práticas. É possível que, em casos de grandes tiragens, tenhas de fazer mais que uma exposição. Pela nossa experiência uma tela gravada é capaz de reproduzir até 500 unidades (pode variar).
Conselho
A tinta deve ser sempre limpa imediatamente após a sua utilização. Primeiro deverás retirar o excesso de tinta com uma espátula. Depois, usando uma esponja super suave e humedecida em água (para tintas à base de água), passa-a pela tela sem esfregar, desse modo a tinta fica mais fácil de sair. Lava a esponja e passa novamente nas zonas da tinta e esfrega moderadamente. Vai repetindo estes passos até a tinta ter saído.
Sempre que usares fita adesiva, é preferível escolher uma sem solventes. Idealmente a fita adesiva deve ser retirada imediatamente após a utilização da tela, caso contrário, e com o tempo, pode ser muito difícil remover a fita adesiva e irá deixar vestígios colados à tela. Nesse casos, usa a esponja humedecida para retirar a fita-cola, esfregando moderadamente, no entanto poderá não sair.
Com a utilização, caso comecem a sair pequenos pontos de emulsão, que não interfiram com o desenho, deves bloquear com fita adesiva, no lado da tela em contacto com o substrato.
Conclusão
Em conclusão, a emulsão de serigrafia desempenha um papel fundamental no processo de gravação de uma matriz, (na tela de serigrafia), quando a luz UV é bloqueada durante a exposição.
A escolha entre emulsões, considerando tempos de exposição, resistência, tipo de tinta, tipo de fonte de luz (unidade de exposição) e experiência, pode ser importante para garantir qualidade na impressão.
A emulsão dual cure, garante alta qualidade na resistência à abrasão e nos detalhes finos. Ao mesmo tempo, tem maior latitude de exposição, o que torna o seu uso mais amigável aquando da gravação da matriz, principalmente se fores iniciante. No entanto a preparação prévia e menor tempo de vida, são contrariedades.
A emulsão de fotopolímero tem maior tempo de validade e não requer nenhuma preparação prévia, o que torna mais atractiva para quem não faz gravações com regularidade.
A emulsão de diazo, dos 3 tipos, é a que reune maior número de contrariedades. Mas pode ser facilmente utilizada para matrizes com menores detalhes, desde que seja adequada ao tipo de solvente da tinta utilizada.
O correcto armazenamento, seguindo prazos de validade, e a adopção de práticas responsáveis e outros conselhos são imperativos. Ao focar na resistência, armazenamento adequado e práticas responsáveis, é possível assegurar um desempenho consistente das emulsões, fundamentais para o sucesso no processo.
A sensibilidade à luz, a correcta preparação (quando necessária) e a escolha entre diferentes tipos de emulsão contribuem diretamente para a qualidade e durabilidade da matriz, influenciando positivamente a impressão final.
Um dos maiores desafios, na utilização de qualquer emulsão de serigrafia, será o tempo de exposição. Sublinhamos que qualquer aspecto poderá alterar o tempo de exposição. Começando pela própria emulsão, que pode ser mais ou menos sensível à luz.
O tipo de luz, pode implicar diferentes distâncias, entre fonte de luz e tela. A potência e o nível de UV, também vão oscilar a duração do tempo de exposição.
O tipo de fotolito, e a qualidade e nível de opacidade do mesmo, vão influenciar a exposição, devido à sua capacidade para bloquear a luz.
Se acrescentarmos o número de camadas de emulsão (1, 2 ou mais camadas), adicionamos outro factor à equação, que vai influenciar directamente o tempo de duração da exposição.
Portanto, a compreensão detalhada desses elementos e a implementação de boas práticas são essenciais para alcançarem resultados consistentes e de qualidade.
A boa utilização, no processo de impressão, principalmente na limpeza, é extremamente importante.
Terminamos por sublinhar que não estamos a concluir que a emulsão de serigrafia que utilizamos é a melhor. No entanto, durante o nosso percurso e experiências, foi a emulsão que garantiu melhores resultados, para o tipo de projectos que temos.
Recordamos que, a experiência e a experimentação, são importantes para encontrar as melhores soluções para as características dos projectos de cada um.
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Na FICA Oficina Criativa, para além de vendermos telas de serigrafia, fazemos serviço de exposição/gravação. Os preços das telas variam consoante o tamanho e o número de fios
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